As propostas inovadoras da América Latina no G20: coluna do Ingo Plöger

Por Ingo Plöger*

Grupo dos Vinte (G20) é o principal fórum de cooperação econômica internacional. Desempenha um papel importante na definição e no reforço da arquitetura e da governança mundiais em todas as grandes questões econômicas internacionais. É composto por 19 países (África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia) representando 85% do PIB mundial e 75% do comercio internacional e cerca de 2/3 da população mundial. Portanto é um fórum de alta representatividade politica e econômica.

Sediado pela primeira vez na América Latina, no Brasil, os países da região, Argentina, Brasil e Mexico assumem uma responsabilidade maior. A sistemática de trabalho é que as sociedades civis organizadas por temas possam fazer entregar aos chefes das nações, propostas para os grandes desafios globais. O B20Business 20 – liderado pelo brasileiro Dan Iochpe, empresário do setor automotivo coordena os subgrupos formados e organizados pela CNI, que envolve algo em torno de 900 representantes empresariais 1).  O B20 Brasil e estabeleceu sete forças-tarefa e um conselho de ação, dedicados a áreas específicas que ressoam o lema

Crescimento Inclusivo para um Futuro Sustentável”.

Com este lema, o B20 Brasil deseja focar as discussões e recomendações em cinco eixos centrais:

    ◉ Promover o crescimento inclusivo e combater a fome, a pobreza e as desigualdades;
    ◉ Promover uma transição justa para zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa;
    ◉ Aumentar a produtividade por meio da inovação;
    ◉ Promover a resiliência das cadeias globais de valor;
    ◉ Valorizar o capital humano.

As áreas incluem comércio e investimento, emprego e educação, transformação digital, transição energética e clima, finanças e infraestrutura, integridade e compliance, sistemas alimentares sustentáveis e agricultura e mulheres, diversidade e inclusão dos negócios.

O país sede, neste caso o Brasil, tem a prerrogativa de propor a pauta de trabalho, que reflete o esforço de levar ao debate global a visão do país e sua região.  Elas serão os temas a serem endereçados aos 7 grupos de trabalho como: Comercio e investimento, transição energética e clima, integridade e conformidade, transformação digital, finanças e infraestrutura, sistemas alimentares sustentáveis e agricultura, mulheres e diversidade e inclusão de negócios. 25 CEO´s me altos e=executivos irão liderar esta pauta.

Qual seria o diferencial a se esperar deste esforço?

Certamente o ambiente democrático da América Latina imporá uma Governança diferenciada em um mundo cada vez mais autocrático. A inserção, diversidade, transparência e ética serão uma marca forte do como fazer. Já no o que fazer a América Latina irá oferecer soluções inovadoras no combate a mudança climática com inserção social. Em quanto o Hemisfério Norte se baseia neste tema em pautas “passivas” por exemplo em concentrar os esforços na redução de carbono, como o causador do efeito estufa, a América Latina abrirá as opções pela pauta “ativa”, ou seja, o que promove redução de temperatura pelo ciclo da fotossíntese tropical 3 vezes mais potente do que no Hemisfério Norte. Soluções que envolvem a biomassa energética (etanol, biodiesel, SAF, Biometano), a cadeia alimentar sustentável, e os serviços de preservação e recuperação florestal, são ativos das regiões tropicais.

A integração indústria, agro minerais, capital e recursos humanos serão uma outra vertente. 80% da população brasileira é urbana, onde mais da metade vive em cidades menores que 400.00 habitantes que estão ligados direta e indiretamente ao agro. Novos modelos de negócio, como a Integração Lavoura Pecuária e Floresta, com sustentação de cooperativas não só de produção e comercialização, mas o gigantesco crescimento nestas regiões das cooperativas financeira com sua atuação social integrativa. As inovações pela digitalização do campo e da cidade fazem com que a produtividade e a inserção se estabeleçam na educação ao e nos treinamentos 2).

De outra forma, mas não menos importante, é a experiencia brasileira das assim chamadas Bolsa Família. Um conceito e realização que partiu do governo de Fernando Henrique Cardoso e foi sendo aprimorado em todos os governos subsequentes. Hoje atinge algo em torno de 20 milhões de famílias, onde a beneficiaria é a mãe, com renda mensal de algo em torno de 140 dólares por mês, com contrapartidas na educação e serviços ambientais, pagos via um cartão digital, de baixo risco de corrupção. Destaca-se nisto que a beneficiaria deste recurso vai buscar para sua família consumir o que for mais necessário naquela circunstancia, entre alimentos, remédios ou material escolar entre outros, desenvolvendo o mercado local, nos preços do mercado 3). A experiência mostrou que o PIB local dos beneficiários cresceu acima do PIB mediano do Brasil, ou seja, alimentou a conjuntura local, com renda e trabalho. Os 14 bilhões de R$ (US$3 bi) pagos por este programa são muito mais eficazes por estes efeitos do que subvencionar alimentos e outros produtos, que desestimulam a produção local e são objetos de corrupção e influência política.

Esta experiencia e outras serão demonstradas em diversas ocasiões podendo ser copiados por outros países.  O Rio de Janeiro é o local onde a Cúpula do G20 ira se reunir em novembro de 2024 e é sede de inúmeras reuniões de lideranças políticas e empresariais e soias se reúnem durante o ano.  O próprio CEAL se programa para no final de outubro reunir suas lideranças para promover o debate frente aos objetivos do G20.

Uma oportunidade da América Latina sair da defensiva e mostrar o que tem!

*Ingo PlögerEmpresário brasileiro, Presidente CEAL Capitulo brasileiro

  1. https://b20brasil.org/
  2. https://b20brasil.org/digital-transformation
  3. https://oantagonista.com.br/brasil/bolsa-familia-2024-novidades-e-aumento-de-beneficios/#:~:text=O%20valor%20base%20do%20benef%C3%ADcio,aproximadamente%20R%24%20679%2C23.
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