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Novas estratégias impulsionam novas alianças na América Latina? Uma coluna de Ingo Plöger (Português)

Ingo Plöger | Presidente CEAL Capítulo brasileiro

O cenário mundial mudou drasticamente nestes últimos meses. O que se demonstrava como sendo estratégias firmes e solidas de longo prazo, agora, se transformam em planos de revisados nas suas prioridades de propósitos. Os EUA liderando um viés de safeshoring ou friendshoring, buscam entendimentos nos aliados do TPP, no Oriente Médio, surpreendentemente à América Latina. A União Europeia, às voltas com a proximidade da Guerra da Ucrânia, tenta resolver os impactos energéticos e de suprimentos, que a conduzam para uma menor dependência da Rússia. A China mais enigmática, embora oficialmente apoie a Rússia, ma non tropo, estabelece com parceiros comerciais alianças tecnológicas e de suprimentos, que não a deixam mais vulnerável. A Índia por seu lado, na grande dependência energética e da tecnologia bélica da Rússia, contrapondo a China, tenta se manter neutra ate onde pode, buscando seus interesses de maneira exaustiva, similar à África do Sul. Neste novo balanceamento geopolítico, a América Latina, se vê compelida como aliada e adversaria ao mesmo tempo.

A ofensiva americana, talvez seja no momento a mais evidente. Joe Biden, fez sua viagem ao Japão, Australia e demais aliados do TPP nestas ultimas semanas, com a finalidade já conhecida de isolar tecnologicamente e comercialmente no longo prazo a China pelas convergências e coerências regulatórias de seus membros por padrões, normas e processos harmonizados. Logo após a viagem aos aliados do TPP, convocara os países da América Latina, para o Summit, onde incentivou as empresas americanas a investirem na região. Mesmo o Mexico não comparecendo ao evento, esta o mesmo ligado pelos acordos do TPP e da USMCA de tal ordem, que permanece vinculado à dinâmica norte americana.

Novo é que Joe Biden deu relevância aos outros países como as do Mercosul, e demais que não estavam contemplados nestes acordos. Antes mesmo de enveredar ao Oriente Médio, onde tenta estabelecer alianças mais duradouras, mesmo entre adversários declarados, a posição dos EUA se torna relevante perante seu papel global. Na ultima reunião da OMC em junho, na reunião ministerial MC 12, foi notável a posição dos EUA em conjunto com a América Latina, contrario à posição da Índia, que recebeu apoio pela União Europeia, de liberar os estoques governamentais de alimentos fortemente subvencionados, no mercado mundial. É uma posição destacada da América Latina e EUA, na liderança por uma economia de livre mercado. Pelo esforço diplomático brasileiro, a Índia, conseguiu seu proposito reduzido a exclusivamente voltado aos países declaradamente em situação de emergência nutricional. O protagonismo americano na questão da segurança alimentar é duplamente relevante, observando-se, que ainda antes da Guerra da Ucrânia, a América Latina já havia se posicionado por unanimidade no Summit da Segurança Alimentar em setembro de 2021, conclamado pela ONU.

Já a União Europeia, que se manteve distante das posições latino americanas e americanas, no final de 2021, lança seu programa Green Deal como sua contribuição para os desafios climáticos.

O que parecia ser um programa “interno” da União Europeia, pelos resultados das eleições em vários países europeus, agora se torna um mantra para a politica externa da EU.

Pouco realista, para outras regiões do mundo, e menos ainda para a América Latina de clima tropical, a EU, de clima temperado, se distancia de parceiros estratégicos de maneira dogmática. O que poderia favorecer a UE em sua busca de soluções para a segurança alimentar e a segurança energética, no curto e no longo prazo, a mesma dispensa estas vantagens para se manter equilibrada em relação a China e a Índia, onde defende grandes interesses.

Esta atitude observada não só na OMC, mas por recentes resoluções na área alimentar e de biocombustíveis ou biomassa, levam ao cidadão europeu uma carga muito maior de preços energéticos e alimentícios do que necessário. Interessante notar, que ao contrário da política, as empresas europeias anunciam investimentos na América Latina, em função do near- e safeshoring. Enquanto empresas americanas anunciam o encerramento de atividades na Rússia, vendendo seus estabelecimentos, abandonando este mercado pe razoes políticas, uma boa parte das empresas europeias, posterga decisões de encerramento, mantendo a “porta dos fundos aberta”. É evidente que isto é notado e registrado. Assim como de maneira assimétrica existe o continuo fornecimento de semicondutores de tecnologia Huawei, enquanto outros de outra procedência, estão na fila de espera; a China avança com sua tecnologia em terceiros mercados abocanhando participações, enquanto outros perdem, por não poderem fornecer “ in time”.

Esta nova configuração de estratégias mundiais, leva regiões, estados e empresas a definirem novas alianças. A América Latina, embora com governos cada vez mais socialistas ou social-democratas, se inclinam ao pragmatismo americano, sem deixar de atender clientes asiáticos e receberem tecnologia em tempo. Os EUA entenderam esta dinâmica e buscam em sua ofensiva, assegurar posições de influência, enquanto a Europa, se mantem distante em seu “ Green Castle”. Na América Latina a percepção das vantagens comparativas de seu ESG são cada dia mais relevantes e apropriadas ao processo empresarial. As multilatinas por sua vez, quando são capitalizadas, buscam esta temporada de compra de ativos mais baratos, já que o dinheiro barato tanto europeu quanto americano secou.

As novas alianças serão dadas pelas novas realidades comerciais, de investimentos na sustentabilidade. Enquanto os EUA e a China avançam, os Europeus recuam, e os Latino Americanos tentam na nova realidade se fortalecer no seu campo de jogo que conhecem melhor do que qualquer um.

São os novos tempos para a América Latina.

Ingo Plöger. Empresário brasileiro, Presidente CEAL Capítulo brasileiro

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